sábado, 18 de julho de 2009

Teísmo X Ateísmo


Por Airton,
O QUE E O QUEM
O homem, pequeno ser do Universo grandioso se acha superior porque pensa, ou porque está comprovado que é o único animal que pensa!
Assim ao colocar-se, faz um questionamento dúbio para assegurar que continuará sendo o dono da situação, para auto-afirmar-se no que diz respeito a sua efêmera existência. Como entender QUE É DEUS e QUEM É DEUS?:
Que é Deus?
Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas.
Pitágoras, que voveu no século VI a.C, foi um dos lúcidos Espíritos da antiga Grécia.
Chamado sábio pelos díscipulos, respondia que era apenas um philosophos. Em grego philos, amigo; sophoi, sabedoria.
O filósofo é um amigo do saber.
Para Platão, outro grande sábio grego, a filosofia deve ser exercitada não por mero prazer especulativo, mas como necessidade básica do ser humano, em busca da Verdade.
Quem sabe de onde veio situa-se melhor. quem sabe por onde anda não se perde nos caminhos. Quem sabe para onde vai não experimenta perplexidade e desalento. Platão valorizava extremamente esse empenho. Destacava que a direção das coletividades deve pertencer aos filósofos.
Afirmava: " A não ser que os filósofos se tornem governantes ou que os governantes se tornem filósofos, não haverá solução para as aflições humanas."
A grande questão é que raramente essas orientações têm sido observadas.
Os filósofos procuram o saber não por amor à sabedoria, como Pitágoras, nem por amor à Verdade, como Platão. Apaixonados por si mesmos, pretendem decifrar os enigmas do Universo a partir de uma exaltação da própria vaidade. quase sempre comentem um erro fundamental: Ignoram a prsença de Deus no Universo, pretendo explicar criação sem um criador. Diz Jesus, em Mateus, 11:25; "Graças te dou, ó Pai do Céu e d a Terra, poque ocultaste estas cousas aos sábios e entendidos, e as revelastes ao pequeninos."
Dai depreendermos que a chave da percepção, que nos coloca em contato com as realidades universais, É A HUMILDADE, o reconhecimento da própria pequenez diante do Senhor Supremo, em cujo seio existimos e nos movemos, conforme observa o apóstolo Paulo.
Não memos importante é exercitamos a razão para preciar a Regência Divina. Sem esse empenho incorremos no milenar engano: conceber um deus antropomórfico, feito à nossa imagem e semelhança, governando a vida universal sob inspiração de paixões típicas da inferioridade humana.
Jeová, o todo senhor bíblico, vingava-se até a quarta geração daqueles que o ofendiam e determinava que os judeus passassem a fio de espada, em terra inimiga, tudo o que tivesse fôlego! Mais exatamente, todos os viventes, fossem homens, mulheres, velhos, crianças, aves, peixes, animais... O deus cristão não tem feito melho r. Basta lembrar que em se nome sustentaram-se as cruzadas, as fogueiras inquisitoriais, o comércio das indulgências, a monarquia religiosa, a caça às bruxas...
Se falta religiosidade aos pensadores, carecem de racionalidade os religiosos.
Um homem culto e sensível, ser humano encarnado no século do tempo medido pelos homens, trouxe uma Boa Nova para a humanidade, para aqueles que "quiserem ouvir e ver". Este viajor, como nós, era pedagogo, professor, filósofo por vocação e teve como nome Allan Kardec que se preocupava com os problemas humanos, buscando sobretudo, um sentido para a vida. Ao contatar os Espíritos nas primeiras reuniões a que compareceu em Paris no ano de 1855, teve a necessária HUMILDADE para enxergar o que enfatuados acadêmicos recusavam ver: a presença de homens desencarnados ou a almas dos mortos, dando notícias do continente espiritual, o que abria um promissor campo de pesquisas. Mas em em momento algum Kardec renunciou à L ÓGICA e ao BOM SENSO, conforme está escrito no Evangelho Segundo o Espiritismo: "FÉ inabalável só é a que pode encarar de frente a RAZÃO, em todas as épocas da Humanidade."
Se os amigos historiadores pesquisarem em Obras Póstumas, um dos livros do Pentateuco do Espiritismo, irá encontrar Kardec referindo-se a sua iniciação; "Compreendi, antes de tudo, a gravidade da exploração que ia empreender, percebi, naqueles fenômenos, a chave do problema tão obscuro e tão controvertido do passado e do futuro da Humanidade, a solução que eu procurava em toda a minha vida. Era em suma, toda uma revolução nas idéias e nas crenças, fazia-se mister, portanto, andar com maior circunspecção e não levianamente; ser positivista e não idealista, para não me deixar iludir."
Foi mérito do pedagogo e filósofo Kardec começar seu trabalho de Codificação da Doutrina Espírita a partir da idéia fundamental - DEUS, não indo além do que lhe seria dado compre ender, com o que evitou especulações fantasiosas. A primeira pergunta que formulou, ao reconhecer que estava em contato com elevadas Entidades que se propunham a transcendentes revelações, evidencia sua sobriedade e discernimento:
O QUE É DEUS?
Normalmente se perguntaria; QUEM É DEUS?
Soa melhor.
No entanto, qualquer estudante secundário sabe que há uma diferença fundamental entre os pronomes QUE e QUEM.
QUEM É Jesus?
Um judeu nascido em Belém, filho do carpinteiro José e sua esposa Maria. Viveu em Nazaré. Morreu crucificado em Jerusalém.
QUE É Jesus?
O autor dos ensinamentos que deram origem ao Cristianismo, um movimento religioso que, em vários segmentos, constotui hoje a crença predominante do Ocidente.
O pronome QUEM implica em identificação.
O pronome QUE define ativiade, condição, qualificação. Por isso o estudioso Kardec, sabiamente não pergunta QUEM é Deus, Como identificá-lo? Onde nasceu? Q ual sua origem, idade, natureza íntima? Tal qual como os Historiadores fariam talves ao debruçar sobre os fatos presentes...
Não estamos diante de mistérios no sentido teológico - assuntos proibidos. São apenas informações que escapam ao nosso entendimento no atual estado evolutivo. Seria o mesmo que ensinar álgebra a um recém-nascido.
Assim, Kardec limitou-se a perguntar às Entidades elevadas (Espíritos) quanto a qualificação de Deus e não quanto à identificação. Ao responder que DEUS É A INTELIGÊNCIA SUPREMA, CAUSA PRIMÁRIA DE TODAS AS COISAS, os mentrores espirituais esgotaram o assunto nos limites do entendimento humano.
A partir dessa idéia fundamental Kardec desenvolveria as 1018 questões que compõem O LIVRO DOS ESPÍRITOS, fonte de muitas respostas as dúvidas e aflições da Humanidade. Nele é possível encontrar um roteiro indispensável em favor de nossa felicidade e bem-estar, inspiando-nos AMOR ao conhecimento, como exalta va Pitágoras, mas, sobretudo, levando-nos ao conhecimento do AMOR, síntese das Leis Divinas, como ensinava Jesus.
Por isso meus amigos debatedores, a prova da existência de Deus temo-la nesse axioma: NÃO HÁ CAUSA SEM EFEITO.
Quero agradecer os que tolerarem ler essas humildes linhas do ser frágil que acredita em um Deus Supremo e Misericordioso com seus filhos, mesmo que ingratos, agradecer a intuição de Richard Simonetti, grande escritor e preletor espírita que também me inspirou a enviar esse sinal de que há algo em torno de nós que vai além dos nosso olhos materiais.
Até amigos e um grande abraço a todos que acreditarem ou não!

sexta-feira, 26 de junho de 2009


A crise econômica e os efeitos da “gripe suína”
Dayana Aparecida da Silva
Desde que intensificou a crise econômica, no começo do segundo semestre do ano passado, as empresas estão se acostumado aos impactos. Apesar de as previsões serem difíceis em momentos como esse, acredita-se que até o final do ano que vem ainda será influenciado pelos acontecimentos recentes, o grau será conseqüência dos volumes das ajudas estatais. “ As empresas vão fazer cortes. Claro que isso dependerá muito do tipo de empresa e das políticas estatais para tentar impedir o agravamento da crise. O grande problema será o possível excesso de preocupação, atitude defensiva, de muitos”, explica o jornalista e escritor Juremir Machado da Silva.
O Brasil começou a sentir a crise um pouco depois já é possível observar novos direcionamentos de investimentos, paralisações de projetos e diminuição de postos de trabalho. Como cada empresa vai se comportar durante este período é grande incógnita. Os líderes estão em posição estratégica para impedir que os danos sejam grandes para a industria, comércio e setor de serviços.
Não sei se está cedo para dizer, mas ainda pó cima, há o impacto de uma possível epidemia poderia Ter sobre estes esforços do governo para recuperar a economia do país e do mundo. Retrocedendo um pouco, em 2008 o Banco Mundial, antes da atual recessão mundial, que uma pandemia de gripe aviária poderia custar US$ 3 trilhões e resultou em uma queda d quase 5 % do PIB mundial.
Hoje, apesar de não haver qualquer indicio de transmissão da doença por contato com porcos, os preços destes animais caíram para o menor nível em 2 meses. Outro setor mais rapidamente afetado em caso de epidemia seria a industria de viagem e turismo, o que já pode ser sentido, no caso de diminuição das viagens e da atividade econômica, os preços do petróleo já afetado pela recessão global, podem cair inda mais.
Entretanto algumas companhias farmacêuticas podem se beneficiar. As fabricantes dos antivirais que aparentemente são eficientes contra “ gripe suína” podem ter ganhos m vendas e na valorização em vendas e na valorização das ações.
Enfim, os norte- americanos se endividam muito e estão pouquíssimo e pra piorar há o agravamento da crise pelo temor da pandemia. Mas isto não é tudo, ainda há a interferência dos meios de comunicação, porque até ontem a preocupação estavam nos problemas da queda da econômica global, a alta taxa de desemprego e em algumas semanas atrás o medo se figurava sobre o clima e as questão sobre o aquecimento global. Onde o aumento do nível dos mares e o aumento de inundações em breve nos tornarão nostálgicos em relação aos bons e velho tempos onde tenhamos que nos preocupar com a “ gripe suína” !

sábado, 13 de junho de 2009

Brasilia


Brasilia
1ª Parte

Nunca houve um projeto específico para a formação de um povo brasileiro, ou mesmo de um país razoavelmente organizado para dar certo, ou mesmo para dar errado. O brasileiro é a confluência de diferentes povos que se miscigenaram desde 1500, quando os portugueses aqui desembarcaram. Segundo o antropólogo Darcy Ribeiro, em seu livro “O Povo Brasileiro”, a identidade do brasileiro como povo ainda está por ser formada. Somos a junção de três raças distintas e que não pretendiam, em nenhuma etapa de seu desenvolvimento, formar uma nova nação: primeiro temos os indígenas, primeiros habitantes do território que viria a formar o Brasil, que sofreu uma mortalidade acentuada, seja pelos serviços forçados a que foram submetidos, seja pela contaminação por vírus e bactérias desconhecidas até então por eles; em segundo lugar, os negros que foram comprados na África e foram trazidos contra sua vontade para o Brasil, onde seriam escravos e constantemente marginalizados, mesmo após a abolição da escravidão em 1888; finalmente, em terceiro lugar, encontramos os europeus que, embora fossem o elo dominante da corrente, fixavam-se no Brasil sem nenhum comprometimento que não fosse ligado ao lucro e ao ganho fácil.
A própria idéia de “ser brasileiro” é complicada na história do Brasil: se fizermos um comparativo entre os europeus que vieram para o Brasil e aqueles que migraram para o que viria a ser os Estados Unidos, poderemos observar quão diferentes eram os objetivos de cada um. Os europeus que vieram para o Brasil, mais precisamente os portugueses, tinham como único objetivo acumular riqueza o mais rápido possível e, após isso, retornar para a Europa. Portanto, eles não tinham nenhuma identidade com a terra, muito pelo contrário. A denominação de brasileiro que existia então fazia referência aos europeus que viajavam ao Brasil para acumular riquezas e rapidamente voltarem para a Europa. Aqueles que não conseguiam mais voltar, ou os filhos dos europeus que aqui nasciam, eram chamados de mazombos. Por toda vida, os nascidos no Brasil tentavam fugir da denominação de mazombos, que lhes causava vergonha, ou então de americanos, que subentendia que eram índios ou mestiços. Até mesmo o trabalho braçal causava repugnância nos brasileiros e nos mazombos: para isso faziam uso do trabalho escravo de indígenas e, posteriormente, dos negros africanos.
Por outro lado, os europeus que migraram para a América do Norte faziam questão de esquecer seu passado europeu: por terem fugido e sem terem perspectivas de volta, os europeus buscavam instalar na América instituições semelhantes às existentes na Europa. A América seria, doravante, seu novo lar e, portanto, deveriam zelar e trabalhar por ela. O Brasil era, por outro lado, um meio de obter lucro fácil e não um novo lar. Assim, não havia necessidade de se construir infra-estrutura local ou máquinas administrativas, ainda que arcaicas. O Brasil foi, em primeiro lugar, uma grande lavoura, posteriormente uma grande mina e de novo uma grande lavoura, nada mais.
Quando os portugueses verificaram que nas terras que descobriram não havia ouro ou prata como os espanhóis haviam descoberto em suas porções da América, deixaram o novo território de lado: o comércio com as Índias era muito mais lucrativo do que negociar apenas toras de pau-brasil, única riqueza viável do território americano. Dois fatores fizeram com que o interesse de Portugal pelo Brasil mudasse drasticamente: o declínio do comércio com as Índias e a ameaça de invasão do Brasil por parte de ingleses e franceses. No entanto, a questão de como povoar e tornar o Brasil economicamente atrativo persistia, até que Portugal resolveu transplantar para o Brasil o mesmo que já fizeram nas ilhas do Atlântico que povoaram: organizar uma plantation que pudesse compensar os imensos investimentos e riscos que a distância entre Brasil e Europa impunham. Para tanto, só compensaria os investimentos caso o produto agrícola fosse escasso na Europa e impossível de ser produzido localmente. A opção escolhida foi a cana de açúcar, produto extremamente valioso no mercado europeu. Foi a primeira vez que uma metrópole européia utilizou uma colônia para fins agrícolas. Portanto, ao invés de evitar a invasão através da construção de uma sociedade organizada e com a construção de uma identidade local, optou-se pela exploração sistemática para fins econômicos.
Os três elementos formadores do povo brasileiro não tinham, então, qualquer comprometimento com a nova sociedade que estavam, inexoravelmente, formando: os brancos que aqui chegavam buscavam apenas o lucro e a volta para a Europa; os indígenas viam sua sociedade ser desmantelada pelas doenças e pelo trabalho forçado; e os negros, quando não morriam na vinda da África para a América, não tinham nenhuma perspectiva a não ser a escravidão. Cada um a seu modo estava privado das aptidões necessárias para a formação de um povo, de uma nação e de um país.
O interesse do estado português para com o Brasil limitou-se à exploração econômica por quase todo o período em que este foi sua colônia. A primeira vez que se pensou em formar um Estado minimamente eficiente no Brasil só se deu em 1808, quando a família real portuguesa fugiu das tropas francesas de Napoleão. Quando aportaram no Rio de Janeiro, Dom João e sua corte perceberam que seria necessário criar tudo do zero, pois aqui não havia nada que pudesse dar respaldo a uma máquina governamental. O Brasil como país ainda não existia: as diversas regiões do Brasil eram dispersas e mal se relacionavam. Não existia a noção de brasileiro: só havia os paulistas, os gaúchos, os baianos, os fluminenses, etc. As diferentes raças que formaram o povo brasileiro não contribuíam para formar uma nação, apenas rivalizavam para tirar proveito para si das situações da colônia.
Costuma-se julgar como soberbia a pretensão dos estadunidenses de auto-proclamarem americanos. No entanto, ignora-se o fato de que enquanto eles renegaram seu passado europeu e com orgulho se diziam americanos, nós brasileiros fazíamos de tudo para sermos mais europeus do que americanos. Sempre tivemos o olhar voltado para a Europa, nunca para o interior da América. Filhos da mistura de três raças, passamos a maior parte do tempo renegando nossas origens.
Portanto, conceitos como democracia racial e povo miscigenado devem ser muito bem analisados, pois além de conceitos vagos são, na maioria dos casos, imprecisos, pois no Brasil costuma-se mascarar a falta de um projeto de povo com eufemismos que tentam salientar nosso caráter conciliador. Há que se lembrar que aqui a miscigenação foi algo forçado, contrária a vontade de cada uma das raças envolvidas: não há nada democrático na relação de um senhor de escravo e sua escrava negra, forçada a ter relações com o sinhô. Não há nada de democrático nos milhares de mestiços que iam nascendo todos os anos porque os portugueses vinham para o Brasil sem família e necessitavam recorrer às indígenas. Enquanto não superarmos estas escusas a respeito de nossa formação como pseudo-povo, não adotaremos um caminho próprio e genuíno de formação enquanto nação. Este é o desafio dos brasileiros do século XXI.


O continente americano, trazido à órbita do contexto europeu a partir de 1492, pode ser dividido em três zonas sócio-político-econômicas: a primeira abrange os atuais Canadá e EUA, na chamada América Anglo-Saxônica, a segunda zona é a América Hispânica, abrangendo todos os países americanos, excetuando-se o Canadá, os EUA e o Brasil; coube ao Brasil o privilégio, ou não, de formar, sozinho, o terceiro setor: a América Portuguesa, ou América Lusitana. Vários são os motivos que justificam o isolamento do Brasil no continente: motivo idiomático – é o único país das Américas que tem o português como língua oficial, sendo que o inglês e o espanhol são compartilhados por vários outros países, principalmente o espanhol; motivo emancipatório – a independência brasileira foi orquestrada pelos próprios metropolitanos, relegando a participação popular a segundo plano, em contraste com os demais países americanos que encetaram guerras contra ingleses, espanhóis e franceses; motivo de autogestão – o primeiro governante do Brasil independente foi um português, príncipe herdeiro da coroa portuguesa; motivo de governabilidade – como corolário das diferenças entre o Brasil e os demais países americanos foi o fato do Brasil Ter adotado a monarquia como forma de governo. Na verdade não foi exclusividade brasileira, tendo o Haiti e o México adotado reinados em lapsos de tempo de sua história. O mérito brasileiro foi ter mantido o regime monárquico por 67 anos (1822-1889). Há historiadores que afirmam que a adoção da monarquia foi condição sinequanon para que a integridade territorial brasileira fosse mantida.

- Motivo Idiomático:

Tudo em História tem uma causa e um efeito, de forma que estas peculiaridades brasileiras, que na verdade são fruto de processos históricos mais complexos, têm os seus porquês. O Brasil forma um setor à parte na América e isto pode ser explicado: ter sido o único país a adotar o português é facilmente explicável pelo fato de ter sido Portugal o país metropolitano, e só ele, tendo o mesmo o sucesso de disseminar o idioma por todo o vasto território que formaria o Brasil. Não foi uma tarefa fácil, contudo. É sabido que na cidade de São Paulo o tupi foi o idioma de preferência até a chegada da família real portuguesa em 1808. Os jesuítas que vinham para o Brasil dedicavam-se ao aprendizado do tupi e mesmo os bandeirantes eram fluentes no idioma indígena, embora desprezassem os bugres. Como explicar que países infinitamente menores que o Brasil, como a Suíça, por exemplo, falem três idiomas diferentes (grosso modo: alemão ao norte e ao leste, francês a oeste e italiano ao sul), ao passo que o Brasil, de dimensões continentais, fale apenas o português, com diferenças mínimas de sotaques, que não chegam a constituir sequer dialetos? As migrações internas é uma das explicações, pois a variabilidade de povos que circularam pelo Brasil é muito menor do que na Europa, ou na Suíça. Aqui no Brasil a colonização foi exclusiva dos portugueses: à exceção do domínio localizado no tempo e no espaço pelos holandeses no século XVII e de alguns estudiosos e diplomatas que circularam pelo Brasil, a terra foi ocupada exclusivamente pelos portugueses e seus descendentes. A imposição da língua portuguesa como única e oficial foi uma das formas de dominação da metrópole sobre a colônia e, ao contrário do que a maioria pensa, esta exclusividade do idioma português garantiu a integridade territorial após a emancipação, e não o contrário.

- Motivo Emancipatório:

A independência brasileira é um caso único na América, pois não foi fruto de um movimento nacional com participação popular, ainda que restrita, mas um rearranjo dos setores dominantes com apoio do próprio poder metropolitano. Isto se deve ao fato de o Brasil ter sido a única colônia americana que passou a ser a sede da monarquia metropolitana: para todos os efeitos, o Brasil foi a única colônia que se transformou em metrópole. Em 1808 a família real portuguesa veio para o Brasil fugindo das invasões francesas de Napoleão. Aqui, o príncipe regente e, posteriormente, rei português, Dom João VI (primeiro monarca europeu a ser coroado em terras americanas) promoveu diversas mudanças na estrutura sócio-política-econômica brasileira, que fizeram com que o Brasil deixasse de ser uma colônia e se tornasse a sede do Reino Unido. Efetivamente, Portugal era a colônia nesta união. Dadas as conturbações políticas na Europa, o rei português não tinha intenções de voltar a Portugal, uma vez que no Brasil poderia manter as prerrogativas que, na Europa, foram subvertidas pela Revolução Francesa.
Na verdade, o projeto de transferir a sede da monarquia para o Brasil já era um sonho antigo dos monarcas portugueses: em 1580, quando da União Ibérica, o príncipe Dom Antônio, Prior do Crato, único nobre português a tentar evitar a união com a Espanha, pensou em estabelecer no Brasil um governo paralelo, mas não conseguiu sequer tentar; em 1640 o rei Dom João IV, que restabeleceu a independência lusitana após a União, também cogitou a transferência da sede da monarquia para o Brasil; até mesmo o ultranacionalista Marquês de Pombal ordenou a ancoram no Tejo de navios que levariam a corte para o Brasil em caso de invasão espanhola. Quando a transferência se concretizou em 1808 e o Brasil se tornou metrópole, um caso inédito se processou na América: o centro de poder estava no Brasil, bem como toda a máquina administrativa, o que eliminava os movimentos contra as desvantagens da colonização, haja visto que Portugal é que fazia reivindicações liberais, como no caso do vintismo, exigindo restabelecer sua primazia anterior.
Todas as autonomias políticas e econômicas que são a base de um projeto independentista já estavam satisfeitas, o que inibiu um movimento interno, mesmo da elite brasileira, em busca da independência. Este desejo só veio à tona quando a corte teve de voltar a Portugal e as autonomias conquistadas a partir de 1808 foram ameaçadas. O próprio Dom João VI teve o tino político de perceber que a elite brasileira iria promover a independência para manter suas autonomias políticas, e tratou de orientar seu filho, o príncipe Dom Pedro, a tomar o controle do movimento (tivesse Dom João VI morrido em terras brasileiras e muito provavelmente Dom Pedro, agora rei de Portugal, teria mantido a união nos mesmos termos que o pai, com o Brasil como sede da Monarquia).
Isto levou à independência, liderada pela elite, sem a participação popular e com ingredientes únicos na América. Movimentos nativos em prol da independência, fatalmente, levariam à desintegração do imenso território colonial, uma vez que as diversas regiões não possuíam conexões que criassem um projeto único de independência. Ao lado do idioma, a forma pela qual a emancipação política adveio garantiu a integridade territorial, pela qual Dom Pedro I batalhou sobremaneira, por exemplo, na Bahia.

- Motivo de Autogestão:

Caso comparemos o caso brasileiro com o dos EUA encontraremos uma dessemelhança chocante: os EUA, que se declararam independentes em 1776, tiveram de guerrear por sete anos, até 1783, contra a metrópole (Inglaterra), que até aquele momento era a maior potência militar e econômica do mundo. Todos os setores da sociedade estadunidense participaram da luta, mesmo os escravos, para conquistarem o reconhecimento da independência. Quando, finalmente, conseguiram a liberdade, inauguraram não apenas a primeira nação independente das Américas, mas também a primeira nação democrática do mundo moderno, fundamentada em princípios tão “iluministas” que influenciaria alguns anos depois a Revolução Francesa.
Já no Brasil nada disso ocorreu. As poucas manifestações pela independência foram localizadas e exclusivas: a famosa Inconfidência Mineira, cujo mártir Tiradentes é exaltado como herói nacional, era extremamente elitista, com os rebeldes desejando a independência apenas da região mineira, sem abolição da escravidão; em termos mais genéricos, não era uma independência stricto sensu, mas apenas uma troca dos donos do poder. Isto se deve ao fato de que não existia uma idéia de Brasil, de uma nação única. Este imenso território não era visto como um país, pelo menos até a vinda da família real em 1808 e todas as mudanças estruturais feitas por Dom João.
Os demais países da América Hispânica, que formavam enormes vice-reinados, desmembraram-se em inúmeras repúblicas após a independência. Levada à cabo pela elite crioula local, mas com intensa participação popular, a independência hispânica também diferiu muito da brasileira. Mas nenhuma diferença é mais gritante do que o fato do primeiro governante brasileiro ter sido um estrangeiro, filho e herdeiro do rei português. Aliado com a elite brasileira, Dom Pedro tomou a frente do movimento emancipatório motivado por diversas pessoas: a princesa Leopoldina, ilustrada que era, incentivava o marido em suas idéias liberais; José Bonifácio, este com certeza o maior artífice da emancipação, via em Dom Pedro o arroubo necessário para cortar os laços com Portugal: seria uma transição muito mais segura e controlável do que uma emancipação levada à cabo por brasileiros de diversas províncias, que poderia criar uma situação difícil de ser controlada, com o risco do desmembramento territorial, o que causava horror ao Andrada, que via nas demais repúblicas hispânicas a concretização do caos; por fim, o próprio Dom Pedro, vindo menino para o Brasil, com espírito jovial e sedento por momentos de glória, viu na independência brasileira o momento de criar o seu reino, pelas suas próprias mãos e não por herança milenar.
A união de interesses (elite econômica, elite intelectual e Dom Pedro) propiciou a manutenção do status quo, mas inviabilizou o surgimento de uma liderança nacional. Mesmo que elitistas, as lideranças hispânicas eram nativas, ainda que pouco tenha mudado para as classes mais pobres com relação aos tempos da colônia. O Brasil não apenas manteve as relações econômicas de dominação, como manteve também o poder político, travando assim uma completa criação de uma nacionalidade: como definir uma nacionalidade, uma idéia de país, se mesmo após a emancipação não tínhamos um líder nativo para governar, mesmo que atendendo aos interesses elitistas? O governo de Dom Pedro I, juntamente com a forma como que se deu a emancipação, garantiu uma transição pacífica e a integridade territorial, mas ao preço de atrofiar a nacionalidade brasileira.


- Motivo de Governabilidade:

A adoção da monarquia pelo Brasil pode ser um caso raro e estranho nas Américas, mas partindo do contexto em como se deu nossa emancipação, foi totalmente coerente. Para todos os efeitos o Brasil já era uma monarquia 14 anos antes da independência oficial (1808-1822), tendo as instituições administrativas do regime solidificadas no Brasil. As elites, que haviam operado a independência, tinham na América Hispânica o exemplo do caos e da desintegração, vendo na República o fator de instabilidade. Em verdade, as elites latifundiárias não desejavam a monarquia por princípios de honra, ou por amor à grandeza do país: o desejo das elites era manter a integridade dos latifúndios, que no caso de uma emancipação espontânea, poderiam sofrer alguma espécie de reforma agrária.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

As injustiças contra Luís XVI


A Revolução Francesa que teve seu estopim a partir da reunião dos Estados Gerais em maio de 1789 marcou a história da humanidade para sempre. Noções da divisão dos poderes entre executivo, legislativo e judiciário, bem como um golpe de misericórdia no absolutismo e na monarquia de direito divino foram estabelecidas para todo o sempre. Um momento crítico da longa Revolução Francesa ocorreu em 1793, quando o Comitê de Salvação Pública, então órgão máximo da recém fundada República Francesa, ordenou que o rei Luís XVI fosse guilhotinado em praça pública. De certa forma, a França rompia os laços com uma tradição de mais mil anos na qual os reis se sucederam inexoravelmente sobre os súditos franceses. A volta, anos depois, de Luís XVIII e Carlos X, irmãos de Luís XVI, ao poder irá mostrar que este rompimento não foi tão duradouro assim. Podemos, para todos os efeitos, supor que aquele que pagou a maior conta da Revolução foi o próprio Luís XVI. De todos os reis franceses da dinastia Bourbon, Luís XVI foi talvez o que mais se preocupou com o bem estar de seu povo e o que mais batalhou para superar os privilégios feudais dos nobres e do clero. Nem mesmo Henrique IV, o fundador da dinastia e amado pelos franceses foi tão longe neste aspecto.
As sandices cometidas pelos antecessores imediatos de Luís XVI, sobretudo por Luís XIV e Luís XV, deixaram as finanças francesas em tal estado que medidas extremadas eram necessárias para salvar os cofres públicos. Mesmo sobre taxando o Terceiro Estado, formado pelos plebeus, o estado calamitante não seria revertido. Nessas condições, o ministro das finanças Necker demonstrou ao rei que a única saída seria cobrar impostos também sobre o Primeiro e o Segundo Estado (clero e nobreza), até então isentos de qualquer imposto. Luís XVI estava em um beco sem saída: como representante máximo da nobreza, o rei não poderia preterir a sua classe social; no entanto, como dirigente máximo do país, não poderia fechar os olhos à única saída visível de sanar as finanças nacionais. Para completar o quadro periclitante que se apresentava ao rei, as idéias liberais estavam ganhando a rua e a ascensão cada vez mais visível da burguesia, que apesar de enriquecida pertencia ao Terceiro Estado, era outra fonte de pressão que o rei não poderia ignorar.
As novas tendências que ventilavam pela sociedade francesa encontraram um reinado dirigido por um homem pusilânime, imaturo e ligeiramente ingênuo. Ao mesmo tempo em que gostaria de defender o povo, acreditava dever preservar prerrogativas da nobreza, não entendendo que as duas ações eram excludentes. Tivesse rompido definitivamente com os dois primeiros Estados, que tantos empecilhos colocaram às suas reformas, empecilhos esses que posteriormente lhe custariam a cabeça, e se aliado ao Terceiro Estado, a monarquia francesa teria resistido. Mas Luís XVI, embora libertário, era um nobre, e não via meios de trair a sua própria classe: devido a essa indecisão, o Terceiro Estado pediu sua cabeça e os nobres nada fizeram para impedir.
Obviamente a proposta de Necker para cobrança de impostos junto aos dois primeiros Estados não foi a única causa da Revolução Francesa. Há muito tempo a burguesia buscava uma oportunidade de se livrar da monarquia absoluta, de quem se servira em seu nascedouro, mas que agora era um empecilho. Segundo Eric Hobsbawm a Revolução Francesa foi uma revolução burguesa, ainda que tenha utilizado roupagem popular. Diante da proposta do governo para que a nobreza e o clero pagassem impostos, a primeira reação dos primeiros estados foi a recusa incondicional da proposta e a demissão imediata de Necker. Luís XVI insistiu na cobrança, mas teve de submeter a proposta à aprovação do Parlamento que negou veementemente. Contrariamente aos seus princípios, mas tentando utilizar um pouco da áurea que revestia a pessoa do monarca desde os tempos de Luís XIV, o rei compareceu pessoalmente ao Parlamento e exigiu que sua proposta fosse inscrita, ao que foi obedecido, sinal de que o poder real ainda não estava de todo enfraquecido. Dias depois, no entanto, ainda apegados aos seus direitos feudais, os nobres declararam ter agido por coação, o que tornava a inscrição ilegítima e que tal aprovação de novos impostos só poderia ser aprovada pelos Estados Gerais, reunião na qual os três estados da sociedade francesa se reunia para questões de suma importância. A nobreza e o clero não se davam conta, mas estavam cavando a própria cova em que seus privilégios seriam enterrados.
Tanto Necker quanto Luís XVI temiam a convocação dos Estados Gerais. A última vez que isso havia ocorrido fora em 1664. Desde então o rei nunca fora pressionado a este ponto, ou tivera suas propostas rebatidas com tamanha força. Os dois lados estavam irredutíveis: o rei não iria abandonar seu projeto de taxação sobre o Primeiro e o Segundo Estado e estes, por seu turno, não iriam abrir mão de seus privilégios milenares. Na fissura criada entre o rei, a nobreza e o clero, o Terceiro Estado encontrou a brecha necessária para fazer valer suas reivindicações. Convocar os Estados Gerais em 1789 não era a mesma coisa que convocá-lo em 1664: as idéias liberais estavam muito mais populares e o Terceiro Estado estava muito mais fortalecido do que jamais estivera. O rei temia que uma reunião dos Estados Gerais pudesse fomentar debates incapazes de serem controlados e que levariam o país a uma desordem civil, última coisa necessária a um país afundado na crise financeira. Luís XVI e Necker demonstraram nesse temor algo de profético. A nobreza e o alto clero, no entanto, imaginaram que recorrendo aos Estados Gerais poderiam impedir que o rei pusesse em prática seus projetos financeiros. Imaginaram que teriam total controle sobre a reunião e que poderiam manter o Terceiro Estado submisso, como aconteceu nas reuniões precedentes. A seu favor contava o regulamento de votação das petições feitas pelo governo: cada estado teria direito de um voto, o garantia o veto ao rei, uma vez que o Primeiro Estado (Clero) e o Segundo Estado (Nobreza) votariam juntas, independentes da posição do Terceiro Estado.
A nobreza começou a perceber que dessa vez não seria tão simples submeter o Terceiro Estado quando este fez duas exigências importantes: aumento do número de deputados, uma vez que o Terceiro Estado representava mais de 75% do total da população francesa e, o mais importante, exigiram que o voto referente a qualquer projeto fosse por cabeça, ou seja, cada deputado teria direito a um voto, e não um voto por Estado. Isso era muito importante, pois caso essa petição fosse aprovada, o Terceiro Estado poderia aprovar qualquer projeto de seu interesse e, dessa forma, o novo projeto financeiro de Luís XVI deveria ser aprovado. Podemos supor que os primeiros estados foram contra estas petições, mas Luís XVI postergou seu parecer, talvez para intimidar a nobreza ou, o que é mais provável, porque não sabia como se portar diante de tamanha pressão.
Esta foi a segunda chance que a nobreza e o alto clero, bem como o rei, tiveram a oportunidade de ceder espaço ao Terceiro Estado em tempo de impedir a tempestade que desabaria em breve. Como já sabemos, esta oportunidade foi perdida, e os primeiros estados continuaram irredutíveis quanto à manutenção de seus privilégios. Luís XVI teve a oportunidade então de romper com os aristocratas e abraçar a causa do Terceiro Estado, maioria da população francesa e que estava na linha de frente das idéias dos tempos modernos. O rei, no entanto, não quis opor-se abertamente à nobreza, de quem era o principal representante. De acordo com sua educação, ainda se considerava detentor do poder absoluto e de origem divina. Sem sombra de dúvidas, Luís XVI perdeu uma chance histórica.
Após os Estados Gerais tomarem assento, o Terceiro Estado não esperou muito para ir ao ataque: apesar de ter conseguido o aumento do número de deputados, insistia na votação por cabeça, enquanto os demais estados mantinham o voto por classe. Nem o rei se decidia a abandonar a aristocracia, nem esta abria mão de suas prerrogativas, o que levou o Terceiro Estado a se separar dos Estados Gerais e formar uma Assembléia Nacional, já que representavam à imensa maioria da população francesa. As cisões temidas por Luís XVI estavam se tornando realidade, e só estavam no início.
Luís XVI era de um temperamento e uma visão de poder completamente diferente de seu avô Luís XV e de seu tataravô Luís XIV. Ainda que tivesse uma visão absoluta de sua função como rei, Luís XVI julgava ser seu dever governar para o bem do povo francês, de quem se sentia o tutor. Seus antepassados imediatos julgavam que tanto o povo como as riquezas do país só existiam para que eles próprios pudessem usufruir. Entre as diversas inovações do reinado de Luís XVI, estavam a liberdade de imprensa e regulamentos para uma maior liberdade dos camponeses diante dos aristocratas. Diante dos desdobramentos posteriores da Revolução, o rei acabou arcando sozinho com a fúria do Terceiro Estado para com a aristocracia, pois era o testa de ferro de toda uma tradição e uma classe. Já a aristocracia acreditou que o sacrifício de Luís XVI, o boi de piranha, seria suficiente para aplacar a fúria da plebe. Mais uma vez se enganaram, pois o período conhecido como Terror, liderado por Robespierre, cobraria seu preço a membros de todas as classes.
A verdade é que os revolucionários, ao fundarem um regime que julgavam novo, recorreram a métodos medievais, como a execução pública de um símbolo do passado. Já o rei, que viveu sob o signo da indecisão, foi morto por aqueles que tentou ajudar de alguma forma e abandonado pela classe que se recusou a abandonar. Por merecimento, Luís XIV e Luís XV mereciam muito mais a guilhotina do que Luís XVI, que herdou um reino já atulhado em dívidas e conflitos, que não pode e não soube solucionar. Do ponto de vista humano, Luís XVI foi um dos melhores reis da França. Do ponto de vista do temperamento, foi um dos mais pusilânimes, o que lhe custou a cabeça na guilhotina.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Dia das Mães e a Vida de Joana d'Arc



O Dia das Mães e a Vida de Joana d’Arc:

Cidade de Rouen, França, manhã do dia 30 de maio de 1431. No centro da Praça do Mercado, em uma estaca erguida pelos soldados ingleses, Joana d’Arc era queimada viva. Era seu ato final no conflito que viria a ser conhecido como Guerra dos Cem Anos. Joana, com apenas 19 anos, morria solteira e virgem. Assim sendo, o que Joana d’Arc teria a ver com a comemoração do dia das mães?
Apesar de não ter sido mãe, Joana tinha o que todas as mães têm: espírito guerreiro e determinação. O mundo sempre foi, e continua sendo, extremamente machista. Não se dá às mulheres o reconhecimento que elas merecem. E nossas mães são tão guerreiras quanto Joana d’Arc o foi. Elas trabalham fora de casa para complementar o orçamento e, quando voltam ao lar, ao invés de descansarem como mereceriam, têm de assumir a segunda jornada, cuidando dos filhos, do marido e da casa.
Nossas mães são capazes de se transformarem em guerreiras ferozes, como Joana, para nos defender e lutar pelo o que é melhor para nós. E nós, que tanto devemos a elas, geralmente não as recompensamos como se deve esperar. De certa forma, com a indiferença que muitas vezes a tratamos, a queimamos vivas, principalmente quando idosas, tratamos muitas delas como estorvo. E porque falar de Joana d’Arc, que nunca foi mãe? Porque devemos lembrar que, antes de tudo, nossas mães são mulheres. Que as mulheres são historicamente injustiçadas e que não conferimos a todas, mães ou não, o reconhecimento que todas elas merecem. Podemos cobrir nossas mães de presentes, mas o que elas mais querem é que sejamos melhores pessoas, que recompensemos sua atenção e suas noites mal dormidas com um futuro melhor.
E se Joana d’Arc deu sua vida pela França, que foi sua filha, alguém duvida que nossas mães dariam suas vidas por nós? E como recompensamos o amor que elas nos dedicam? Será que não as queimamos vivas com nossa falta de reconhecimento? Elas não querem ser Joana d’Arc, elas querem ser felizes e verem no rosto de seus filhos o futuro que muitas vezes não puderam ter para si mesmas. Como você tem tratado sua mãe? A História que reza que as mulheres são discriminadas deve ser mudada por cada um de nós. Nossas mães, nossas mulheres, merecem isso.
Parafraseando o historiador francês Jules Michelet, que foi um dos maiores biógrafos de Joana d’Arc, recordemo-nos sempre, filhos, que nossa vida nasceu do coração de uma mulher, de sua ternura e de suas lágrimas, do sangue que ela verteu por nós. O que vertemos por nossas mães?

David Barbosa Miranda –28 anos – bacharel em História pela Uni FIEO – bacharel em Turismo pela FMU.

Para maiores informações sobre a vida de Joana d’Arc, consultar:
- Joana d’Arc, de Jules Michelet;
- Joana d’Arc, de Mary Gordon;
- Santa Joana d’Arc, Victoria Sackville West;

domingo, 17 de maio de 2009

Jerusalém: Capital do Estado de Israel


Em primeiro lugar, gostaria de deixar claro que o fato de
considerar Jerusalém como capital do Estado de Israel não significa,
de forma alguma, que os membros das religiões cristãs e
muçulmana não tenham direito de acesso aos lugares que, a
milênios, consideram como sagrados na cidade de Jerusalém, a
saber, a Via Crucis e o Santo Sepulcro (para os cristãos) e a Mesquita
de Omar (para os muçulmanos). Estes direitos, considero, são
inalienáveis.
Analisemos o que corrobora minha afirmação do título deste
ensaio: os judeus sentiram a necessidade de ter em Jerusalém sua
capital quando o rei David a conquistou dos filisteus e, tornando-se o rei de Israel após o
reinado de Saul, declarou que Jerusalém seria, doravante, “Capital Única e Eterna de Israel”.
Ora, a afirmação não foi feita por um “Zé Ninguém”, mas pelo rei David, reconhecidamente
um dos maiores reis de Israel e, também, um dos maiores profetas do monoteísmo, autor dos
magníficos Salmos.
Os cristãos consideram Jerusalém uma cidade sagrada pelo fato de lá se localizarem os
locais onde Jesus viveu seus últimos dias de vida: lá Jesus realizou a Última Ceia, foi em
Jerusalém que Jesus foi preso, crucificado, ressuscitou e ascendeu aos céus e foi em Jerusalém
que os apóstolos deram início à pregação das palavras de Jesus. Levando em consideração
que Jesus e seus apóstolos, em nenhum momento, tiveram a intenção de fundar uma nova
religião, uma vez que eram todos judeus, com intenção tão somente de reformar uma religião
que, em suas visões, já estava deturpada, as prescrições judaicas continuavam válidas, até
porque os próprios cristãos consideram David um grande profeta. Todos nós sabemos que foi
Paulo de Tarso que, anos depois, iria tornar incompatível a idéia de seguir as “palavras” de
Jesus e ser judeu: em última análise a religião conhecida como cristianismo foi fundada por
Paulo, e não por Jesus. Sendo assim, Jesus era judeu e todos os seus apóstolos eram judeus,
antes de serem cristãos. Dessa forma, os preceitos religiosos do judaísmo estavam vigentes,
bem como o respeito pelos patriarcas e os profetas, entre eles David, um dos maiores profetas
de Israel. De forma alguma sua afirmação de que Jerusalém era a “Capital Única e Eterna de
Israel” havia sido revogada.
A primeira religião monoteísta com um matiz completamente diverso da judaica foi a
muçulmana, uma vez que se tratava de árabes. No entanto, este “matiz completamente diverso”
era apenas superficial: os árabes eram, para todos os efeitos, parentes dos hebreus, uma vez
que o fundador dessa etnia era Ismael, meio-irmão de Isaac, cujo filho Jacó seria renomeado
por Deus como Israel. A religião fundada por Maomé, inclusive, reconhecia que o seu patriarca
era Abraão que, da mesma forma, era patriarca judaico e cristão. O Islamismo reconhece não
apenas o mesmo patriarca, mas os mesmos profetas e livros sagrados que o judaísmo e o
cristianismo: ainda que considerem que a Torá dos judeus e os Evangelhos dos cristãos tenham
sido corrompidos ao longo dos séculos para atender a interesses escusos, o Alcorão é direto
quando reconhece a divindade desses textos sagrados, exortando aos muçulmanos que os
DOSSIÊ:
“PORQUE JERUSALÉM É – DE FATO E DE DIREITO – A CAPITAL
DO ESTADO DE ISRAEL”
DAVID MIRANDA
respeitem. Além disso, todos os profetas do judaísmo e do
cristianismo são reconhecidos como tais no Islamismo: desde Adão
e Noé, passando por Abraão, Moisés, Jesus e finalizando a profecia
em Maomé. Ainda no Islamismo, David mantém seu status de
grande profeta, e sua obra máxima, os Salmos, são louvados como
texto sagrado. Juntamente com Adão (texto perdido), Abraão (texto
perdido), Moisés (Torá), Jesus (Evangelhos) e Maomé (Alcorão),
David, com os Salmos, é considerado um dos poucos profetas a
quem foi concedida uma Escritura Sagrada.
Portanto, como podemos verificar, todas as três religiões
monoteístas têm a mesma raiz, os mesmos princípios, o mesmo
Deus, os mesmos personagens centrais e até mesmos os livros
sagrados de cada uma tentam, ao seu modo, interpretar a mesma espiritualidade fugidia a que
os homens almejam. Uma outra regra é comum a todas elas: os seus profetas são emissários
das vontades de Deus, de forma que, para todos os efeitos, são infalíveis. A magnanimidade
dos profetas chega a tal ponto que Jesus, profeta na religião muçulmana, não teria, como
acreditam os cristãos, sido preso e crucificado: no momento da chegada dos soldados romanos,
Deus fez com que Judas adotasse as feições de Jesus e sofresse em seu lugar (além disso, os
muçulmanos, como os judeus, consideram blasfema a teoria segundo a qual Jesus fosse divino
ou filho de Deus, considerando que “se fosse filho, não temeria, se fosse divino, não sofreria”).
Tendo isso em mente, a posição de David frente aos cristãos e aos muçulmanos seria tão
grandiloqüente quanto à posição frente aos judeus: sendo um profeta, através do qual foram
revelados os Salmos, David estava um grau acima dos demais fiéis, sendo infalível, um exemplo
para a posteridade.
Mas é também conhecida a história segundo a qual David, apaixonado por Bat Sheva,
uma mulher casada, teria dado ordens expressas para que o marido de sua amada, Urias, fosse
mandado para a linha de frente do exército de Israel em uma das muitas batalhas que David
travou (ou travaram em seu nome) contra inimigos invasores. Morto Urias, Bat Sheva ficou
desimpedida para casar-se com o rei, tornar-se rainha e gerar Salomão, um dos mais sábios
monarcas de Israel. Como um profeta de Deus poderia tomar uma medida tão baixa? A resposta
é encontrada no Talmude judaico: segundo as leis de Israel, todos os soldados que partissem
para a guerra eram obrigados a, primeiramente, divorciar-se de suas esposas, pois caso
morressem deixavam-nas livres para novos casamentos. Portanto, quando Urias partiu para a
guerra, Bat Sheva não era mais sua esposa. E, finalmente, como explicar as ordens de colocar
Urias na linha de frente dos combates? Esta ordem foi dada por David não para que morto
Urias o rei pudesse desposar Bat Sheva, uma vez que eles não eram mais casados: Urias foi
colocado em posição tão infeliz por ter, antes do combate, desrespeitado o rei quando da
partida das tropas, questionando a utilidade da guerra que David estava pondo em marcha. O
Talmude, então, considera que o erro de David foi ter se “precipitado” com relação a Bat
Sheva: não fica claro se essa precipitação de David foi relacionar-se com Sheva antes do
divórcio ou outra causa, mas com certeza não foi o pecado que costumamos imputar ao rei
David.
De qualquer forma, tanto no judaísmo, no cristianismo, como
no islamismo, David ocupa uma posição privilegiada entre os
profetas: mesmo se considerarmos Moisés, Jesus e Maomé como
os mais importantes e Abraão como o patriarca de todas, a leitura
da Torá (Antigo Testamento cristão), do Evangelho (Novo
Testamento) e do Alcorão, não deixa dúvida do renome de que
goza o rei David: “Agraciamos David com a Nossa mercê (e
dissemos): Ó montanhas, ó pássaros, repeti com ele os louvores a
Allah. E lhe fizemos maleável o ferro” (Surata Sabá, versículo 10);
“Ó David, em verdade, designamos-te como legatário na terra.
Julga, pois entre os humanos com eqüidade e não te entregues à
concupiscência, para que não te desvies da senda de Allah! Sabei
que aqueles que se desviam da senda de Allah sofrerão um severo castigo, por terem esquecido
o Dia da Rendição de Contas” (Surata Sad, versículo 26).
Toda esta explanação, em suma, foi para dar respaldo às palavras de David: “Capital
Única e Eterna de Israel”. Suas palavras com relação a Jerusalém não podem ser refutadas,
pois trata-se de um profeta de Deus. Para se ter uma idéia do respeito que profetas judeus
inspiravam no islamismo, nos primeiros anos de pregação, Maomé orientava a oração dos
muçulmanos voltados para Jerusalém, lar dos profetas. Apenas alguns anos depois a quibla
islâmica (ponto de referência para a oração) foi alterada para Meca. Este respaldo, no entanto,
contempla aqueles que são adeptos de uma das três religiões monoteístas, ou que as levam em
consideração, na sua busca de uma legitimidade “divina”. Os seculares devem se contentar
com as conquistas militares, que ora beneficiaram os muçulmanos, ora os judeus e no futuro
não podemos dizer quem se beneficiará. O fato é que continuo defendendo que,
independentemente da bandeira nacional que tremula nos prédios governamentais (que só
pode ser a de Israel, pois os palestinos não têm, ainda, um Estado nacional) é o que menos
conta, uma vez que os acessos aos locais sagrados continuem abertos a todos, judeus, cristãos
e muçulmanos.
Em 1947, quando a ONU decidiu pela divisão da Palestina em dois estados, um judaico
e outro árabe, todos os membros da Liga Árabe foram contra, mesmo com a maioria do território
sendo habitada por judeus. Em 1948, no dia seguinte ao estabelecimento do Estado de Israel,
uma aliança de países árabes atacou o recém formado estado judeu, pondo abaixo qualquer
possibilidade de coexistência pacífica. Quando o presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton,
e o primeiro-ministro israelense Ehud Barack propuseram a divisão de Jerusalém em duas
partes, concedendo aos palestinos a posse do Monte do Templo, onde anteriormente ficava o
Templo Sagrado dos judeus e hoje abriga a Mesquita de Omar, o presidente da ALP, Yasser
Arafat não cedeu por conta de uma mísera porção, que correspondia ao Muro do Templo,
sagrado para os judeus, que ele também queria ter a posse seja lá para quê. Estes dados parecem
fugir da mente das pessoas em uma hora dessas.
No entanto, de qualquer forma que tentemos entender a problemática posição de
Jerusalém, tanto religiosa como secularmente, daremos ganho de causa à Israel. Tudo por
conta da afirmação exultante do rei e profeta David: “Capital Única e Eterna de Israel”. Ao
conferir este título a Jerusalém, o rei que geraria o sábio Salomão
(Suleiman em árabe) daria a principal “prova” no julgamento acerca
da “posse” da cidade: por isso ele era um profeta, pois conferia
soluções a problemas que sequer existiam ainda.
Tanto pela via religiosa como pela política, as análises apontam
para Israel como “vencedor” desta querela, o que não significa
que esta situação será eterna: em um mundo em que a via política
tem muito maior importância quanto à religiosa, os homens
recorrem aos mitos, às lendas e à religião somente quando esta os
protege, como no caso dos terroristas islâmicos, que usam a religião
como meio de legitimar suas sandices, fazendo uma leitura parcial
do Alcorão e das palavras do profeta Maomé, pregando o ódio aos
demais povos, pregando que jihad é sinônimo de martírio (dos outros, nunca deles mesmos).
Em uma época em que a Europa cristã chafurdava na intolerância e nas trevas, o Islã era a luz
do mundo, onde a tolerância era fundamental, onde um sultão sentenciou que se deveria “entortar
a mesquita, não os direitos”. Uma civilização que deixou como legado o sistema arábico, a
destilação do álcool, tratados de filosofia e de medicina, entre outras contribuições, não pode
permitir que fanáticos primitivos façam com que o mundo ache que os muçulmanos estão
prontos para explodir uma bomba amarrada em sua cintura em uma praça lotada.
A maioria da população israelense (que é formada por 20% de árabes) com certeza
deseja a paz. Ninguém, a não ser uma diminuta parcela de cada lado, ganha nada com este
estado de terror que dura já sessenta anos. O grande problema sãos os radicais de cada lado,
que são quem, de fato, detêm o poder. Os radicais do lado palestino não aceitam o direito do
Estado de Israel em existir. Já os radicais do lado judaico não toleram que a Terra Santa do
judaísmo esteja habitada por outros que não judeus. O poder é deles e, enquanto for assim, por
mais esforços que se façam, a paz será sempre uma quimera, uma utopia tão grande quanto a
de que um dia a luta de classes pudessem desaparecer.
Quando o Islã perdeu o bonde da História? Quando a luz de Maomé se apagou? Quando
líderes da têmpera de Saladino deixaram de nascer? Quando o Islã deixou de chamar a atenção
do mundo pelos seus belos feitos e passou a usar a caridade como chamariz? Quantos dossiês
serão necessários para se responder a todas estas perguntas?

O Lado Positivo da Gripe Suína



O lado positivo da Gripe Suína:
No início do século XX o mundo foi assolado pela gripe espanhola, que vitimou cerca de 40 milhões de pessoas em todo o mundo. Em poucos meses, todos os cantos do planeta haviam sido infectados pelo vírus da gripe, que por ser de uma nova variação do vírus influenza, matou rapidamente em praticamente todos os países onde estacionou. A exemplo dessa gripe do início do século XX, a gripe suína do século XXI também se expandiu rapidamente por todo o globo terrestre. No entanto, a expansão da gripe suína é de uma natureza diferente da expansão da gripe espanhola: a gripe espanhola encontrou terreno fértil graças às aglomerações geradas pela Primeira Guerra Mundial, que fez com que o trânsito freqüente de soldados por toda a Europa e partes da Ásia alastrassem o vírus por todo o mundo. Já no caso da gripe suína, a expansão deveu-se ao frenético ritmo da globalização e da incrível capacidade que os seres humanos alcançaram atualmente de se deslocarem por todo o globo.
Uma gripe que teve início em um vilarejo do México, alcançou países tão distantes como China, Dinamarca, Espanha e Brasil. Outro grande exemplo de pandemia foi a peste negra que, em plena Idade Média, matou cerca de 1/3 da população européia. Esta disseminação acabou com o mito de que antigamente não havia mobilidade entre as fronteiras. Mas porque a gripe suína não irá matar tanto quanto a gripe espanhola ou a peste negra?
As explicações são várias: atualmente, as condições higiênicas no mundo são muito melhores do que séculos atrás. Além disso, os avanços da medicina garantem que poucas pessoas morram de gripe, mesmo que de variações inéditas. Da mesma forma, crianças que fatalmente morreriam caso contraíssem pneumonia no início do século, nos dias de hoje recebem alta em poucos dias de tratamento. Por estes motivos, a gripe suína não será tão mortal como as pandemias anteriores, graças aos avanços sanitários e da ciência. De certa forma, pandemias como estas mostram algo de positivo: mostra que o mundo não está estagnado, que as pessoas se movimentam e que a baixa mortalidade evidencia o avanço da ciência. Fosse no século passado, estaríamos enterrando 1/3 da humanidade. Mas graças aos avanços da Globalização, podemos nos curar com antigripais.