segunda-feira, 18 de maio de 2009

Dia das Mães e a Vida de Joana d'Arc



O Dia das Mães e a Vida de Joana d’Arc:

Cidade de Rouen, França, manhã do dia 30 de maio de 1431. No centro da Praça do Mercado, em uma estaca erguida pelos soldados ingleses, Joana d’Arc era queimada viva. Era seu ato final no conflito que viria a ser conhecido como Guerra dos Cem Anos. Joana, com apenas 19 anos, morria solteira e virgem. Assim sendo, o que Joana d’Arc teria a ver com a comemoração do dia das mães?
Apesar de não ter sido mãe, Joana tinha o que todas as mães têm: espírito guerreiro e determinação. O mundo sempre foi, e continua sendo, extremamente machista. Não se dá às mulheres o reconhecimento que elas merecem. E nossas mães são tão guerreiras quanto Joana d’Arc o foi. Elas trabalham fora de casa para complementar o orçamento e, quando voltam ao lar, ao invés de descansarem como mereceriam, têm de assumir a segunda jornada, cuidando dos filhos, do marido e da casa.
Nossas mães são capazes de se transformarem em guerreiras ferozes, como Joana, para nos defender e lutar pelo o que é melhor para nós. E nós, que tanto devemos a elas, geralmente não as recompensamos como se deve esperar. De certa forma, com a indiferença que muitas vezes a tratamos, a queimamos vivas, principalmente quando idosas, tratamos muitas delas como estorvo. E porque falar de Joana d’Arc, que nunca foi mãe? Porque devemos lembrar que, antes de tudo, nossas mães são mulheres. Que as mulheres são historicamente injustiçadas e que não conferimos a todas, mães ou não, o reconhecimento que todas elas merecem. Podemos cobrir nossas mães de presentes, mas o que elas mais querem é que sejamos melhores pessoas, que recompensemos sua atenção e suas noites mal dormidas com um futuro melhor.
E se Joana d’Arc deu sua vida pela França, que foi sua filha, alguém duvida que nossas mães dariam suas vidas por nós? E como recompensamos o amor que elas nos dedicam? Será que não as queimamos vivas com nossa falta de reconhecimento? Elas não querem ser Joana d’Arc, elas querem ser felizes e verem no rosto de seus filhos o futuro que muitas vezes não puderam ter para si mesmas. Como você tem tratado sua mãe? A História que reza que as mulheres são discriminadas deve ser mudada por cada um de nós. Nossas mães, nossas mulheres, merecem isso.
Parafraseando o historiador francês Jules Michelet, que foi um dos maiores biógrafos de Joana d’Arc, recordemo-nos sempre, filhos, que nossa vida nasceu do coração de uma mulher, de sua ternura e de suas lágrimas, do sangue que ela verteu por nós. O que vertemos por nossas mães?

David Barbosa Miranda –28 anos – bacharel em História pela Uni FIEO – bacharel em Turismo pela FMU.

Para maiores informações sobre a vida de Joana d’Arc, consultar:
- Joana d’Arc, de Jules Michelet;
- Joana d’Arc, de Mary Gordon;
- Santa Joana d’Arc, Victoria Sackville West;

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